Presidente do GDC Mozelos

Hoje “apeteceu-me” fazer uma espécie de entrevista ao António Pinto, presidente do GDC.M, Grupo de dinamização Cultural de imageMozelos, que fez recentemente 25 anos de existência.

“O GDC.M tem 500 associados inscritos, dos quais cerca de 100 pessoas estão em actividade permanente. Temos um Activo Bruto que ronda os 110.000 euros, uma média anual de 1.000 horas de actividade por ano e um orçamento anual que ronda os 20.000 euros. O GDC.M está registado no RNAJ e cumpre os critérios do associativismo juvenil.”

António Pinto tem 50 anos, concluiu no ano passado o 12º ano ao mesmo tempo que tirou um curso de Aperfeiçoamento em Competências Sociais e Técnicas, posteriormente a isso certificou-se como técnico de Segurança Qualidade e Gestão de Obras – Nível III pelo ISQ.

Considera-se vocacionado para a participação cívica. Foi militante da Acção Católica na juventude onde chegou a ser  coordenador europeu do MAC, esteve em diversos países da Europa de da América Central onde participou em congressos e encontros internacionais.

Em Mozelos esteve no processo da fundação do Centro de Apoio Social onde chegou a ser presidente do Conselho Fiscal, foi fundador e dirigente da Cooperativa de Habitação Económica e do Grupo de Dinamização Cultural.

A nível concelhio: fez parte do Gabinete da Juventude da Câmara da Feira em representação das associações juvenis do Concelho, foi fundador do anterior Jornal “Feira Norte”, é director da revista “Cultura e Recreio” e Vice-presidente da Federação das Colectividades da Feira.

Da sua intervenção política, ficou registada a sua passagem pela Assembleia de Freguesia de Mozelos para que foi eleito em 2001, passou pela liderança do PS de Mozelos em 2005, entre outras experiências…

Shrek (ShK) – Já todos percebemos que o António Pinto não gosta de fugir às confusões… mas porquê tanta coisa ao mesmo tempo?

António Pinto (AP) – Na escola, no 5º e no 6º ano, descobri que afinal até era bom a matemática e o que me dava mais gozo era resolver as questões mais complexas. Parece que é nas situações de maior tensão e complexidade que eu rendo mais. Quando nos dedicamos a uma coisa só temos a tendência para cair na rotina e perder criatividade… Actualmente a minha atenção nem é muito complexa, está direccionada apenas para três frentes: a obtenção do CAP nível III de Técnico de Obra; fazer um bom trabalho na Federação das Colectividades e resolver rapidamente as questões pendentes no GDC.M.

ShK – E a politica?

AP – A política já acabou para mim!

ShK – Temporariamente ou definitivamente?

AP – Definitivamente! A derrota histórica de 2005 e a reincidência do eleitorado no mesmo comportamento para com o Domingos em 2009 não me deixa nenhuma saudade!

ShK – Aceitemos então essas três frentes de trabalho: formação pessoal, federação e GDC.M! Vamos então por partes: Formação. Depois dos 50… Dizem que burro velho aprende mal!?

AP – De burro velho… reconhece apenas a teimosia! Quanto ao aproveitamento, passei sempre à primeira com uma média de 18, o que significa ser um muito bom aprendiz!

ShK – Federação das Colectividades: Que trabalho é que isso dá?

AP – Na direcção da Federação faço parte de três equipas de trabalho: Administração, Formação e Desenvolvimento Associativo; Informação, Comunicação e Imagem; Viagem Medieval. Temos reuniões quinzenais. Neste momento estou a coordenar o Projecto Associar – que pretende ser um incentivo à inovação e ao desenvolvimento associativo que pretendemos fazer chegar a todas as associações do concelho. Na Viagem Medieval sou responsável pelo envolvimento associativo.

ShK – Vamos finalmente ao que interessa: Qual é a verdadeira dimensão do GDC.M?

AP – O GDC.M tem 500 associados inscritos, dos quais cerca de 100 (cem) pessoas estão em actividade permanente. Temos um Activo Bruto que ronda os 110.000 (cento e dez mil) euros, uma média anual de 1.000 (mil) horas de actividade por ano e um orçamento anual que ronda os 20.000 (vinte mil) euros. O GDC.M está registado no RNAJ e cumpre os critérios do associativismo juvenil.

ShK – Quais são as prioridades da actual direcção?

AP – O GDC.M tem duas grandes questões a resolver a curto prazo: a conclusão definitiva das obras da sede; a criação de condições para uma maior autonomia financeira, que passa pela rentabilização daquele espaço.

ShK – Em relação a obras, existe ainda o problema, que é conhecido, da cedência do terreno ao Futebol Clube de Mozelos. Que alternativas existem actualmente?

AP – Temos duas possibilidades: Fazer uma alteração de obra, que permita a requalificação daquele espaço de forma a torna-lo mais funcional; ou estudar um projecto de ampliação articulado com a obra que o Futebol pretender implementar. Esta segunda opção seria a solução ideal para as duas colectividades.

ShK – Mas existe o problema do terreno…

AP – O problema do terreno não tem razão de existir. O terreno é e será sempre da Câmara Municipal. As colectividades têm apenas, como é sabido, o direito de implementar obras e benfeitorias nesses terrenos. Naquele local a câmara tem duas parcelas de terreno que juntas medem 700 metros quadrados, o GDC precisa de 100 metros de implantação de obra e o Futebol não precisará de muito mais... Se houver entendimento, o terreno chega para todos e ainda vão sobrar 500 metros de terreno para domínio público!

ShK – Quanto a financiamentos? Estamos em tempo de crise, de onde virá o dinheiro?

AP – Para o GDC.M há a possibilidade de recorrer ao PAI – Programa de Apoio a Infra-estruturas do Instituto Português da Juventude. Temos possibilidade de financiamento bianual de até 50.000 euros. Em duas fases de dois anos cada era possível acabar a obra!

ShK – Quanto ao Futebol?

AP – O Futebol Clube de Mozelos terá de recorrer à CCRN, ao PIDAC, ao Poder Local e aos privados… Actualmente são privilegiados todos os projectos que envolvam parcerias! Penso que o Futebol também poderia beneficiar da nossa ajuda se existir uma dinâmica conjunta. Veremos! Já expusemos a situação à Junta de Freguesia e pedimos a marcação de uma reunião conjunta para analisar todas as possibilidades.

ShK – Concluindo, terão de gramar com o António Pinto à frente da GDC.M por mais alguns anos!?

AP – Espero que não! Já se sente o desgaste, foram muitos anos à frente da colectividade. Isso tem custos! Mas as lideranças não acontecem quando e onde se quer… os lideres não se fazem a martelo! Temos de esperar que apareça alguém.

ShK – E se não aparecer?

AP – Quando se chega aos 50 anos temos de ter consciência que somos mais passado do que futuro… Dois terços da minha esperança de vida já foram consumidos, com bons resultados… mas isso é passado. O futuro é sempre uma surpresa! Espero assistir à minha passagem de testemunho com sucesso… Resta-me a provocação, o desafio… até que alguém se sinta motivado.

ShK – Que mais há para dizer?

AP – Muito obrigado e bem-haja para todos!

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