Inventar Sanguêdo!

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No outro dia vi um artigo num jornal do concelho a dar importância a pequenas histórias de Sanguêdo. E não é que o jornalista escreve de uma forma tão segura que o leitor até fica com a ideia que a lenda da Rosa do Adro é mesmo dali e que a outra história da senhora do Açougue é mesmo antiga e que vale a pena ser recordada. Se assim fosse eu teria dezenas de outras histórias da dita terrinha e até mais interessantes e antigas. Vejo logo que é para ocupar página de jornal! Não haverá assuntos mais interessantes? E se o senhor jornalista desejar falar da antiguidade da dita terra deveria ir às raízes e fazer alguma pesquisa histórica. Aí veríamos o esforço do jornalista. Mas mais fácil é ouvir tretas de uns e de outros e acreditar.

Como jornalista deveria colocar a questão sobre o facto de se erguer um Meco-monumento em honra de uma vigarista que vivia do corte de carnes e que existiu por ali na década dos anos 20.E deveria saber que não há registo Paroquial da dita senhora ser de Sanguêdo, o mais certo é ser de Sandim. Mas ainda hoje é assim! Os vigaristas do século XXI continuam a ter direito a estátua! É esse o exemplo certo para a nossa juventude!? Já agora o jornalista fez um “copianço” jeitoso sobre o que é o açougue na Wikipédia, tal e qual os miúdos da escola no seu “Magalhães”.

E sobre o famoso azulejo da Rosa do Adro do atelier de Marcos Muge de Ovar, o jornalista nem coloca a hipótese sobre o facto de Sanguêdo tentar usurpar as histórias de outras localidades para si? Deveria questionar os responsáveis! Manuel Faria Rodrigues ao escrever a obra nunca revelou se a mesma teria sido verdadeira e nunca ninguém o viu nas terrinhas Sanguedenses. Apenas se sabe que algumas das filmagens aconteceram na Quinta da Pícua na Maia. Já agora venha aqui a minha casa porque eu tenho uns canecos jeitosos de Robalo Pinheiro e tenho a certeza que ele andou por aqui espiritualmente! E já agora era importante em termos legais saber quem são os ilustres Sanguedeses que defendem que a Rosa tenha nascido em Sanguêdo. Porque são mentirosos! O sitio do azulejo só teve uma época áurea quando existiu por ali uma pequena industria de argolas de cimento e antes disso era matagal. E nessa época, segunda metade do século XIX, já o Pároco fazia registo dos baptizados e nenhum era ateu e não há referência a nenhuma Rosa com tal história telenovelística. As Rosas da época eram poucas e viviam em alguns dos lugares habitáveis. Não se pode inventar história, não se pode criar falsos documentos físicos, nem dar azo a quem os faz, porque assim o futuro da nossa história pode ser colocado em causa e ser essa a morte de uma ciência! Tenho pena que o ex-presidente da junta tenha sonhado tais lendas!

Mas, o povo de Sanguêdo tem passado histórico! Não é preciso inventar! Existem documentos do ano 897 ligados ao Mosteiro de Grijó e ao Mosteiro do Monte da Virgem que falam de ilustres senhores: Gundesindo e esposa Endarquina e sua filha Froíla que por ali viviam no sopé do monte de São Bartolomeu. Eram abastados e possuidores de servos. Segundo os documentos eram senhores importantes, e por ali existia também um mosteiro destruído e reconstruído várias vezes. Existem ainda vestígios mais antigos como colunas romanas e muitas tégulas de canos largos que por ali ainda aparecem. Basta ler alguns livros do falecido doutor Ferreira Pinto, os quais se encontram na Biblioteca Municipal do Porto para se conhecer tais factos. Também é pena não se terem conservado os famosos marcos da bengala, um vai desaparecer porque vai passar uma via rápida nesse local, espero que a freguesia do lado conserve o seu no lugar de Bocas. Há vestígios de uma ponte medieval, mas construída com traço romano e também há vestígios da antiga estrada Porto-Viseu. É pena que ainda nenhum Sanguedense tenha feito a Monografia da freguesia!

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