Em linguagem futebolística diria: é preciso virar o jogo. Sim, porque isto cá pelo blogue está a tornar-se muito monótono. O pessoal virou-se para a politica e, não quer outra. Mas ainda continuando no futebolês, não é só mudar de flanco, é preciso surpreender e para isso nada melhor que mandar a bola para as costas da defesa adversária. Eu em vez das costas até a mando direitinha para a boca, porque é de vinhos que vou falar. Posso? Mais a mais, está na moda. Direi mesmo, é chique.
Se não vejamos. Falar de vinhos, nos diários, há dias marcados, nos semanários, tem lugar reservado, nas revistas, e não falo nas da especialidade, são páginas e páginas por sua conta e até nos livros, o tema não é esquecido, vão desde as castas aos custos. Sim, porque o ultimo que li tinha como titulo: “vinhos a menos de 5 euros”. Estava com os meus. Mas na net, googlem um bocado, por exemplo, cliquem “prova de vinhos”. Que tal? Dá para apanhar uma valente bebedeira, não?
Por isso, não me admira que qualquer dia, até o velhinho “BORD’ÁGUA, também adira à moda.
Voltemos então aos jornais, revistas e livros que agora não querem outra. Falam tanto de vinhos, que a mim, mais do que o próprio vinho, me dão a volta à cabeça. Enólogos, escanções, someliers e outros que tais, falam da vinhanha com tanto saber, descobrem-lhe mil sabores, as mais variadas texturas, odores ,que só olfactos de fazer inveja a um cão podem descobrir. E com isto, fico de tal modo frustrado que nem um coxo a querer correr e fintar como o Cristiano Ronaldo. Eu cá por mim, de um vinho o máximo que consigo tirar, é uma piela. E já não é pouco.
Estes supra-(sem ironia)sumos ou gurus, chamem-lhes o que quiserem, têm que ter umas papilas gustativas e um palato dignas de BACO, não sei mesmo se não terão o mesmo ADN. São os deuses da actualidade.
As apreciações que fazem dos vinhos, chegam a ser gongóricas. Dei-me ao trabalho de fixar algumas e para que as possam saborear. Aqui as sirvo.
E, logo a primeira, é de deixar embriagado qualquer mortal. Pena tenho de não fixar o nome do lírico nem ao néctar(já estou na onda) a que ele se referia. Aqui vai:”vinho de rara beleza,personalidade e complexidade. Uma pérola, não é? Mas as que se seguem, não lhe ficam atrás.
Preparem-se então e não se engasguem:
“Boas notas de torrefacção e cabedal” - Foral Grande escolha 2003
“Aroma com ligeiro metal, seguido de aromas terciários” – Reguengos-Confraria dos sócios 2003
“Aroma a fruta quente e estilo rústico” – Lagoa-Colheita selecionada 2003
“Aroma com notas de café, cabedal e algum tabaco” – Vinha do Padre Pedro 2003
“Elegante no nariz, com sugestões de olaria, tijolo e azeitona” Mouchão 2004
“Leve sabor a fumo, muito agradável” – Grão Vasco-garrafeira 1999
Agora, deixo-vos a gota que faz transbordar o copo das apreciações. É um autentico poema: “um vinho elegante e profundo, denso, volumoso, possante e encorpado, sério e austero, reflectindo a postura dos donos da casa”. Para que nada se perca. Autor-Rui Falcão publicado na Revista FUGAS de 23 de Maio de 2009 e referia-se ao vinho, Condes de Foz de Arouce.
Vou terminar em apoteose e para isso nada como me socorrer do homem que, quanto a mim melhor escreve em Portugal, refiro-me a Miguel Esteves Cardoso, foi ele que numa entrevista à VISÂO, em poucas palavras, disse como só ele sabe o que lhe vai na alma, nesta autentica paranóia que grassa por aí sobre os vinhos. Quando lhe perguntaram se o vinho estava elitizado. Respondeu: Dizer que um vinho é grandioso, que sabe a chocolate, cacau, avelás, mijo de rato ou o raio que o parta, é absurdo. O vinho, em Portugal, serve para acompanhar o que comemos. O português típico não fica dilacerado por não ter mais de cinco vinhos num restaurante. O vinho da casa é sempre bom. Há vinhos de três, quatro ou cinco euros, muito bons.
Totalmente de acordo. E vocês?
By Xeirinhas