Empresa diz que não há pagamentos em falta!
PT corta telefones na Rohde sem empresa falhar pagamentos!
A reformulação do plano de reestruturação da multinacional alemã de calçado Rohde, em Santa Maria da Feira, poderá não ser concretizada, já que a empresa está sem telefones e acesso à Internet desde o dia 11 deste mês, apesar de garantir que tem todas as facturas pagas, inclusive a de Novembro.
"Temos de apresentar um plano de viabilização e estamos há quase três semanas sem poder contactar com os nossos clientes e futuros clientes, e eventualmente s em receber chamadas de potenciais clientes, e a Portugal Telecom (PT) não se digna a resolver o problema", acusa Sidónio Lamoso, porta-voz da Rohde.
A ligação telefónica da maior empregadora nacional do sector do calçado, que se encontra num processo de insolvência, foi cortada um dia antes de terminar o prazo de liquidação da factura deste mês e que a Rohde assegura ter pago no final de Outubro. "Desligaram-nos os telefones num minuto, quando não há nada em dívida, e haverá clientes que poderão querer apresentar novas propostas, até quem sabe para voltarmos a ter encomendas, e não nos podem contactar, nem nós podemos contactar com ninguém", reforça.
O responsável garante que os contactos com a PT têm sido repetidos e diários e que o gestor da instalação telefónica da firma prometeu resolver a questão, o que, até ao momento, não aconteceu. "Os trabalhadores da Rohde podem ser fortemente afectados por esta situação, se não conseguirmos fazer o plano de recuperação. A PT pode apresentar os lucros que quiser, mas que preste um bom serviço", diz Sidónio Lamoso.
"A administradora da insolvência também já informou a PT de que é urgente voltar a termos toda a instalação telefónica a funcionar", acrescenta. Nesse sentido, foram enviados faxes, SMS, e-mails e feitos vários telefonemas. "Contactamos com a PT todos os dias, e diversas vezes, mas nem se dignam a atender-nos", garante o porta-voz da empresa.
A administração da Rohde tem de apresentar a reformulação do plano de viabilização até 4 de Dezembro, depois de na assembleia de credores de 19 deste mês a administradora da insolvência ter solicitado essa revisão num prazo de 20 dias, pedindo que fossem referenciados os nomes dos 500 trabalhadores que deverão ser dispensados de um total de 984.
O plano que está agora a ser reanalisado propõe um novo lay-off de quatro meses, de forma a estabelecer contactos com empresas do sector, sobretudo no mercado externo, para tentar assegurar novas encomendas.
Contactada pelo PÚBLICO, a PT recusou-se a prestar informações sobre a situação, alegando que não comenta as relações que mantém com os seus clientes.
Por Sara Dias Oliveira – PÚBLICO
(voltar)