E é nas comemorações dos 20 anos da queda do Muro de Berlim que me estreio a escrever no Kouzas!
Não poderia ter acontecido num dia melhor.
Dado que os Governos (nacional e locais) ainda estão na primeira volta do Grande Prémio vou-me concentrar hoje neste assunto mundial, tão pertinente e tão importante na nossa História.
É o acontecimento que, como disse o Xeirinhas, pôs fim a uma vergonha. Pôs fim à opressão, à morte quase certa de quem o tentava atravessar, pôs fim à mentira que o muro foi construído para evitar a entrada clandestina de pessoas quando na verdade queria travar a emigração, pôs fim a essa prisão gigantesca...
Hoje deve ser um dia de gáudio para todos e, pegando mais uma vez no texto do Xeirinhas, deve ser um momento de reflexão para pormos fim a outras vergonhas que ainda acontecem pelo mundo fora.
Mas nem todos pensam assim!
O Secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, a propósito das comemorações da queda do muro diz que as pessoas que celebram fazem-no “sem se interrogarem se o mundo hoje está melhor”, e que hoje existe “um mundo mais injusto, mais desigual, menos democrático, com mais guerra, onde o capitalismo aumenta a exploração, em que a fome e a doença percorrem mais de mil milhões de pessoas”
Havia muito para eu dizer sobre estas palavras, havia muito para dissertar sobre este PCP e do seu desfasamento à época que vivemos, de como o mundo está melhor quando pessoas não são abatidas por quererem ser livres, mas já muito foi dito e por isso faço minhas palavras de outros.
No Blog 31 da Armada, Francisco Proença de Carvalho diz isto:
Este foi um dos dias mais bonitos do Século XX. Ver a felicidade na cara das pessoas que, finalmente, alcançam a liberdade, é algo absolutamente extraordinário.
Mas, nem todos pensam assim…Hoje, passados vinte anos deste acontecimento histórico, o líder do Partido Comunista Português não presta homenagem a quem alcançou a liberdade. Pelo contrário, para Jerónimo de Sousa e seus camaradas, o que importa realçar é que o mundo que vêem é hoje mais injusto, menos democrático, menos livre…Enfim, a cassete de sempre. Na gravação eternamente reproduzida pelos camaradas como Jerónimo, não interessa prestar homenagem às pessoas que morreram e foram torturadas nas mãos de um regime opressor; não interessa recordar aqueles que foram obrigados a viver décadas sem liberdade de pensamento, circulação, actuação; não interessa condenar a censura cultural e artística que vingou na curiosamente chamada República Democrática Alemã; não interessa repudiar sem rodeios a Stasi, uma polícia secreta que conseguiu reunir 110km de papel sobre a vida privada dos cidadãos que experimentaram o lindo socialismo. Na mais absurda cegueira ideológica, nada disso interessa… O que não surpreende! Na verdade, para quem nunca condenou os métodos de Estaline, estranho seria se tivesse vergonha deste socialismozeco para meninos...
Felizmente, vivemos em liberdade! Graças a ela, Jerónimo, o seu Comité Central e os seus camaradas mais novos (que nos têm brindado com verdadeiras pérolas sobre o conceito de democracia) têm todo o direito de pensarem como quiserem, de questionarem o capitalismo e os valores que dominam as sociedades modernas. Mas, antes de o fazerem, deveriam ter vergonha deste passado, deveriam demonstrar sem rodeios que este socialismo está morto e enterrado também nas suas cabeças. Hoje, dia 9 de Novembro, deveria ser indiferente para estes camaradas saber se o mundo está melhor ou pior depois da queda do muro da vergonha. Hoje seria um bom dia para os comunistas demonstrarem vergonha por este passado tenebroso, tal como o mundo já demonstrou por muitos regimes totalitários de direita.
Jerónimo até pode ser um senhor simpático com dotes de dançarino, mas, por falar em vergonha, eu tenho muita vergonha de ver sentadas no parlamento do meu país, pessoas que não têm vergonha deste passado verdadeiramente vergonhoso…
É mesmo assim!!!
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