Um novo imposto de Verão

filhovarredor

Bon soir!

Como vos disse no último post, estou de férias no nosso Portugal.

Vai daí, aproveitei esta boa-vida, para revisitar algumas terras, terrinhas e terriolas deste nosso profundo concelho da Coba.

Digo-vos, como quem se confessa:

- A terra que deixei há 20 anos, quando voei literalmente pela janela fora, rumo a Paris, está mais evoluída!

C’est ça!

De facto, o concelho da Coba, é hoje um local onde é fácil gostar de viver: emprego a “Rhodes”, rolhas no mercado, febras qb, artistas de rua por toda a parte, águas limpas e estradas atapetadas. Um must!

Comparo a terra da Coba à Nova Lisboa dos anos 60. Pois está claro: a preto e branco.

Blanc & Noir...

E por isso, não foi com muita estupefacção, que recebi a novidade que animou o último verão lá para os lados da Coba de todas as Cobas – a rua mais medieval da Coba de todas as Cobas (que vai desde o pântano do tribunal até ao Castelito).

Então não é que o nosso estimado Filho Avariador, no pico da maior crise económica que o país e o mundo assistem nas últimas décadas, decidiu criar mais um imposto obrigatório para os comerciantes tasqueiros do burgo medieval?

Nem mais.

Passo a explicar:

O tipo, que alguém um dia disse que era bom de finanças, com o seu jeito muito feirense, convidou os seus amigos tasqueiros da Coba para um jantar-dançante. Terá dito que a entrada era gratuita.

E os tasqueiros, que gostam é de umas boas tainadas, cedo se prontificaram a estar presentes em tão interessante repasto, ainda por cima a realizar no Salão Salchichas Nobre da Cambra.

Desta vez (e das outras) os jornaleiros a-Dias e seus respectivos, não iriam abrilhantar a festa. Essencialmente, por questões técnicas.

N’est pas?

O dia do juízo chegou e, tapete vermelho acima, os convidados foram-se acondicionando no Salchichas Nobre a fim de receberem o jantar.

Mas o Filho, entrando de rompante em tão douto espaço, logo tratou de “esfriar” os ânimos de quem, à custa de umas noitadas mais quentes, tinha aproveitado para tirar a barriga de misérias ao vender mais meia dúzia de cervejolas ao povo sequioso. Toda a gente sabe que as coisas não estão fáceis e tudo o que se venda a mais é bem-vindo.

Dizia eu que o avariador, ao invés de mandar servir o repasto, sentenciou que a malta que ali estava era de livre vontade. Mas quem não viesse, ai, ai…

Depois, lá disso ao que vinha:

- Se os meus amigos tasqueiros quiserem vender cervejola, eu acho muito bem. Se os meus amigos tasqueiros quiserem estar com a porta aberta até mais tarde, muito bem. Se os meus amigos tasqueiros quiserem animar a Coba, tudo bem. Com uma condição!!!

(burburinho na sala…)

- A condição é… Pagar a limpeza das ruas!

Em resumo, e em verdade vos digo: se pagarem a limpeza das ruas, podem fazer barulho toda a noite que nós controlamos a bófia... Têm é de pagar porque a SUMA ganhou o concurso só para fazer de conta.

C’est ça!

Claro está que não foi servido qualquer jantar e a malta teve de se contentar com a recepção de tapete vermelho e com tão interessante proposta.

Confesso que não sei se o pagamento do imposto foi ou não para a frente. Uma coisa é certa, há dias fui à Coba e não vi ninguém a beber cervejola nas ruas nem garrafas pelos cantos, nem sequer pontas de cigarro.

Talvez os tasqueiros estejam a pagar o imposto de limpeza a tempo e horas e, por conseguinte, a Cambra a fazer-de-conta que limpa o burgo (à custa dos outros).

Uma kouza é certa… Diz quem sabe, que os tasqueiros estão descontentes com o imposto e se preparam para sentenciar que, na festa de encerramento de campanha, seja banida a venda de toda e qualquer bebida (espirituosa ou não), sob pena de ainda terem de responder perante a Comichão Nacional de Eleições.

C’est incriable notreAvariateur...

Aurevoir

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