KAMPANHA ELEITORAL (dia 1)

ANTERO RESENDE

 

 
cdumupi 
 
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“Remar contra a maré é difícil mas enrijece".

Companheiros e Amigos,

Vivo e tenho no concelho de Santa Maria da Feira as minhas raízes familiares e as minhas grandes referências morais e é com mágoa que digo que por vezes, parece que a nossa terra é o último reduto de um tempo que já passou.

Como a maioria dos Feirenses fiquei com a percepção de que a gestão camarária dos últimos anos tem sido pobre, sem chama e a ausência total de ambição. Também eu estou profundamente desiludido com mais estes quatro anos de poder municipal PSD, que transformou a autarquia num monstro com tentáculos enormes que esmaga, sufoca e asfixia todas as pessoas e empresas que têm a veleidade de querer viver fora da sua dependência. E se o PSD é o pai biológico do monstro, o PS é o seu pai afectivo porque estando no poder central do “Terreiro do Paço”alimentou-o e acarinhou-o como se fosse seu filho.

O município da Feira é um caso típico de como os milhões e milhões de euros da União Europeia que, desde 1993, desaguaram nas nossas autarquias, em nada contribuíram para cimentar aqueles valores que fortalecem as democracias e são o único e verdadeiro motor do desenvolvimento. Ou seja, o espírito crítico, a livre iniciativa, a independência da sociedade civil face ao poder político e a liberdade de expressão e de opinião.    

As obras públicas são importantes obviamente, mas mais importante do que as obras é cada um de nós sentir, que é um cidadão livre. Livre para pensar, livre para criticar e livre para fazer. A única forma de se viver em liberdade na nossa terra é nunca permitirmos que alguém se sinta dono do nosso voto ou senhor do nosso município. A Feira não é de ninguém. É única, porque é de todos os feirenses e não de uma só força política.

O 25 de Abril vendeu-nos a ilusão de que, com a decapitação do regime fascista, o monstro morria, libertando a sociedade civil das suas garras tentaculares. Foi um erro de análise. Ao contrário do que julgaram os homens e mulheres de Abril, o monstro fascista não era um polvo, mas uma hidra. E com a decapitação do regime, as cabeças da hidra irromperam na nossa sociedade tomando conta do aparelho de Estado, das instituições, das autarquias. Todos sabemos que Hércules conseguiu matar a hidra queimando a ferida depois de lhe cortar a cabeça.

Se queremos uma Feira mais justa, mais solidária, mais livre, onde se permeie efectivamente o mérito e o trabalho temos de matar a hidra. Eu sei que é um trabalho difícil, e esse trabalho começa com o voto na CDU. 

Na CDU, não existe distinção entre oficiais e soldados. Sei também que à medida que se sobe na escala hierárquica da responsabilidade, aumentam as obrigações e diminuem os direitos. Tenho a consciência de que o nosso exército é escasso em meios, que não em vontade e, que o combate vai ser duro e desequilibrado. Mas isso não nos deve desanimar, nem fazer desistir. O importante num combate não é estar do lado do exército maior e mais poderoso, mas sim estar do lado certo. 

Tal como noutras batalhas, o nosso combate vai ter de ser feito com o povo e os homens livres deste concelho, porque a “nobreza da Feira”, cujos cargos, tachos e mordomias dependem da câmara, essa está toda ao lado de Henriques, ou seja, do poder laranja.

Assim a fundamental razão para votar CDU é, desde logo, manifestar apoio e dar mais força, influência e peso na vida política local a quem honrou escrupulosamente os compromissos assumidos há quatro anos. A quem realizou um notável e qualificado trabalho na Assembleia Municipal. A quem participou, com exemplar persistência, dedicação e generosidade, em inúmeros e diversificados combates por justas aspirações e interesses populares, por grandes causas de esquerda, com especial destaque para um singular protagonismo na defesa da dignidade e direitos dos trabalhadores.

Apelo, por isso, a todos aqueles que estão fartos de viver com a cabeça baixa e a mão estendida à espera da malga de farelo com que o poder social-democrata costuma comprar os votos dos pobres.  É fundamental votar CDU porque mais CDU é o resultado que mais ajuda a que não fique tudo pior, a que não fique tudo na mesma e a que se conquistem mudanças para melhor, claro, pela esquerda. A CDU foi a força da esquerda que esteve sempre presente nos piores e melhores momentos dos feirenses, nomeadamente dos trabalhadores, e que deu voz às suas aspirações na Assembleia Municipal, na Assembleia da República e no Parlamento Europeu. Não houve qualquer partido, da esquerda à direita, que levasse a voz dos feirenses tantas vezes às instituições democráticas, defendendo os seus direitos e exigindo soluções.

É este o repto que dirigimos a todo o povo da Feira, independentemente das suas convicções políticas ou religiosas. Somos mais, junta-te a nós!

Viva a Coligação Democrática Unitária

Antero Resende

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