António Júlio (CDS-PP)

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1- Como viu estes quatro anos de Assembleia Municipal? O seu trabalho e o do seu partido, assim como o trabalho dos outros  partidos?

Vi com normalidade, dentro do registo democrático habitual em Assembleia Municipal, destacando as assembleias promovidas para a discussão do aterro de Canedo, ainda que muita da sua lógica e da sua boa intencionalidade tivessem sido objecto de uma tentativa de instrumentalização. Esse facto (a realização de assembleias com pontos de ordem convocadas pela população) prova que, independentemente dos partidos políticos – e muitas vezes, apesar deles! – muita outra intervenção pode ser realizada pela população em geral e ele mesma pode constituir-se como veículo de transmissão e de efectivação dos seus próprios anseios e propósitos junto de órgãos de decisão política.

Vi menos favoravelmente algumas tentativas de fulanização de um debate que deve ser essencialmente político e não centrado nesta ou naquela característica pessoal que uma determinada pessoa possa, em determinado momento, ter ou estar investida.

O meu trabalho e o do meu partido serão primeiramente analisados por mim bem como com as pessoas responsáveis pelo CDS de Santa Maria da Feira e posteriormente poderão ser objecto de um pronunciamento público, que até poderá ocorrer no KOUZAS E LOUZAS. Mas entendo que para já, não será este o momento para conclusões definitivas, até porque o mandato ainda não terminou.

2-Como perspectiva o futuro destes proximos 4 anos para o nosso concelho? A nvel poltico, social, ambiental e economico.

Nenhum concelho é imune ao ambiente económico que se vive no país. E como qualquer outro concelho, Santa Maria da Feira reflectirá hoje muita da crise que perpassa, de modo profundo, Portugal e o mundo. Desse modo, aquilo que deve merecer a nossa atenção é não só implementar no imediato os mecanismos de apoio social e económico junto daqueles que pela crise mais directamente são afectados, mas também perspectivar o futuro para lá da mesma.

E perspectivar o FUTURO em Santa Maria da Feira para lá da actual crise, é um exercício ainda mais difícil, pois o concelho estrutura-se económica e socialmente num modelo industrial e produtivo perfeitamente ultrapassado (na actualidade, próprio das economias emergentes), assente na pouca qualificação dos seus métodos e trabalhadores e na pouca sofisticação técnica daquilo que produz.

Tal acontece muito porque as estruturas decisoras ao nível da autarquia não se aperceberam há anos atrás, da mudança de paradigma entretanto verificada e da necessidade de antecipar e de projectar um concelho cuja riqueza passasse a assentar em indústrias de índole tecnológica e em mão de obra mais qualificada.

Por essa razão e acabada a crise financeira global – e ao contrário do desejo de muitos, ela terá um fim! – o concelho de Santa Maria da Feira, no essencial, viverá ainda o mesmo ambiente económico e social de há 30 anos a esta parte, cujo declínio é cada vez mais manifesto (algo que a retoma económica pode de algum modo disfarçar) mas que em si mesmo, naquilo de que depende, já não é capaz de oferecer qualquer futuro para os próximos 30 anos e suas gerações.

Inverter este quadro cinzento é o grande desafio económico, social e político dos próximos anos, uma vez que até hoje muito pouco foi feito e ainda menos se encontra estruturado.

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