Aqui está um artigo de opinião feito por alguém que na minha modesta opinião…tem mesmo opinião…. E das boas!
Subscrevo tudo o que meu estimado amigo Manuel Azevedo diz!
Enquanto discutimos a dissidência dos ranchos, o concurso da esplanada, as obras do ilha bar ou as "asneiras" do presidente da Junta, alguns dos nossos concidadãos encontram-se em frente ao posto médico a partir das quatro horas da manhã de sexta-feira e não é para jogar cartas, mas, para conseguir uma consulta na semana seguinte se houver médico.
"… Não nos tornamos bons tentando ser bons, mas encontrando a bondade que já existe dentro de nós e deixando-a vir à superfície. Porém, tal só é possível se algo de fundamental mudar no nosso estado de consciência.
A História do Comunismo, originalmente inspirado em ideias nobres, ilustra de forma clara o que acontece quando as pessoas tentam mudar a realidade exterior – criar um novo mundo – sem terem promovido anteriormente uma mudança na sua realidade interior, no seu estado de consciência. Fazem planos sem ter em conta a garantia da disfunção que todos os seres humanos carregam consigo: o ego…".
Eckhart Tolle
em "Um mundo novo"
Este pequeno texto retirado do livro mencionado acima –por acaso, estou a lê-lo – serve apenas para reflexão e como chamada de atenção para o enorme ruído que se ouve todos os dias nas Caldas de São Jorge, por causa de inúmeros assuntos mas que não tratam, na essência, da qualidade de vida dos cidadãos desta freguesia.
Nos finais da década de 70 – ou início dos anos 80, não posso agora precisar – um grupo de jovens inconformados e irreverentes, que se denominaram "a maralha", despertou na freguesia com um conjunto de iniciativas à volta do lema que consistia em "sacudir o marasmo das Caldas de São Jorge". É curioso verificar que passados cerca de trinta anos, com as devidas diferenças, continua por cá um marasmo com características diferentes mas que nos prende e impede de dar passos em frente no sentido de sermos melhores e, como consequência, tornar a freguesia melhor.
Pior que o marasmo é mesmo uma espécie de "guerrilha" instalada em que "combatemos" uns contra os outros, centrando a vida da nossa freguesia em discussões tão interessantes como as dissidências entre ranchos – alguns até com marca registada –, as esplanadas com concursos "duvidosos", a ilha que nunca mais é intervencionada, etc,etc...
Enquanto isso, no essencial, que é o cuidado primário para a saúde, perdemos um médico que tem sido substituído por uns poucos, que, ao que parece, todos juntos não fazem o que um faz. O serviço de enfermagem a tempo inteiro no posto médico das Caldas de São Jorge, que tinha sido uma conquista, neste momento – e por excepcional favor – está a meio tempo e não é todos os dias.
Se num passado recente houve uma discussão (ou ruído?) no "sítio público" da freguesia à volta do assunto, ao que parece foi inconsequente, pois nada melhorou; pelo contrário, parece que piorou. Aconteceu, porque a "guerrilha" em que estamos mergulhados nos impede de pôr pés ao caminho no sentido de reivindicarmos o restabelecimento de um direito que nos pertence.
Trago este assunto porque, por força do meu trabalho numa revista vocacionada para médicos, tem-me sido dada a possibilidade de conhecer alguns projectos que estão a ser realizados em USF (Unidades de Saúde Familiar). Uma delas, a USF Serpa Pinto, no Porto, um grupo de utentes criou uma liga de amigos da USF e com a supervisão de um enfermeiro e devidamente apoiados pelos médicos da instituição prestam serviços de geriatria ao domicílio. Noutra, a USF do Carvalhido, também no Porto, uma enfermeira está a desenvolver um projecto de "Educação para a Saúde" em que semanalmente dedica tempo a ensinar idosos a trabalharem as questões da sua saúde na perspectiva da prevenção. Com certeza, no universo das USF em Portugal muitos outros projectos com dinâmicas semelhantes podem estar a ser desenvolvidos e nós vamos tendo médico e enfermeiro quase por esmola.
Enquanto discutimos a dissidência dos ranchos, o concurso da esplanada, as obras do ilha bar ou as "asneiras" do presidente da Junta, alguns dos nossos concidadãos encontram-se em frente ao posto médico a partir das quatro horas da manhã de sexta-feira e não é para jogar cartas, mas, para conseguir uma consulta na semana seguinte se houver médico.
Agora que o Calvário vai ser inaugurado, o concurso da esplanada já foi transparente, o ilha bar vai entrar em obras, enquanto as candidaturas não se confirmam, à falta de outro assunto tomemos este em mãos, assumindo-o como nosso, do interesse colectivo, deixando-nos de demagogias reivindiquemos um direito que nos pertence.
Ass.: Manuel Azevedo
In Jornal Terras da Feira