Dr. Manuel “Larangeira”

A respeito de Manuel Laranjeira, um amigo fez-me chegar um texto escrito pelo nosso estimado “Tero Berde” há uns 4 ou 5manularanjeira anos no Terras da Feira, que na altura provocou uma reacção da Junta da Coba, ainda no tempo de Horácio Sá do género :“ Vamos tratar já disso”… porém, o tempo passou e o ““ Vamos tratar já disso” ficou até hoje… por tratar!

Tal kouza provocou um comentário ….“Somos um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas..."

O texto:

O Ilustre Desconhecido

Miguel Unamuno, ensaísta, pedagogo e filósofo Espanhol, que influenciou e ficou celebre pelos seus trabalhos ensaístas no início do século passado, ao saber da notícia da morte do seu amigo, elogiou-o com palavras que se tornaram celebres:”Era um espírito sedento de luz, de verdade e de justiça. Matou-o a vida. E ao matar-se deu vida a morte.”

Referia-se o ilustre Espanhol, a Manuel Fernandes Laranjeira, escritor e médico, nascido na Vergada (Santa Maria da Feira) a 17/08/1877, filho de Domingos Fernandes da Silva, pedreiro, e de Maria Francisca Laranjeira, doméstica, Laranjeira nasceu quando sua mãe já tinha a idade de 53 anos. Oriundo de uma família de modestos recursos, só após receber uma herança de um tio brasileiro, consegue prosseguir estudos e formar-se em Medicina no Porto. Desde jovem dedica-se à poesia e ao teatro e é colaborador de diversas publicações periódicas, como sejam a Revista Nova, A Arte e O Norte. Autor de uma obra literária importante, onde é notória uma ideologia existencialista, esta incorpora uma leitura crítica e pessimista da sociedade da época. Não assumindo as questões da educação um lugar de destaque na sua vida literária, assume-se no entanto, como um acérrimo defensor do método de João de Deus, o que é bem patente no livro “A Cartilha Maternal e a Fisiologia”. Participou em conferências e congressos versando a escola, a mocidade e a educação nunca fugindo a uma boa polémica. É um homem que se relaciona à época com personalidades como o atrás citado Unamuno, João de Barros, Afonso Lopes Vieira e o pintor vanguardista Amadeo de Souza Cardoso, entre outros. São de destacar na sua obra:”Amanhã”(1902),”Comigo”(1912),”A Cartilha Maternal e Fisiologia”(1909),”A Doença da Santidade”,”Cartas”,”Dor Surda”,”Diário Intimo”, sendo que algumas destas obras saíram a titulo póstumo.

Muito mais poderia dizer sobre este ilustre Feirense, poderia mesmo, multiplicar várias vezes o número de linhas de texto, que correria o erro de ser incompleto na análise. Mas não é essa a minha intenção dado não ser especialista em biografias muito menos me quero assumir como tal. A redacção destas breves linhas deve-se ao facto de no concelho que o viu nascer, na cidade de Santa Maria da Feira, numa rua que é utilizada por tantos de nós, se perpetue uma placa toponímica, com um erro ortográfico como a fotografia documenta. Até parece mentira, mas isto só é possível acontecer num concelho onde se confunde cultura com” festório”.

A bem da decência e do pudor, por favor, restituam a dignidade à rua e ao feirense ilustre que lhe deu o nome.

Antero Resende – Conselheiro Nacional do Partido Ecologista “OS VERDES”

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